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03/07/2015

Gerdau diz que crise 'não poupa nem pipoqueiro' e defende mudança no Reintegra.

Conselheiro da presidente Dilma Rousseff no primeiro mandato, o empresário Jorge Gerdau,
presidente de uma das maiores siderúrgicas do país, considera que a crise econômica atual "está dura" e não tem poupado nem "pipoqueiro".

Gerdau se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nessa quarta-feira no gabinete do peemedebista, ocasião em que também estiveram representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da Fiat/Chrysler e parlamentares.

Segundo alguns dos presentes no encontro, o clima foi de "velório" diante do cenário "pouco animador" traçado pelos presentes para os próximos meses. Na reunião, Gerdau, de acordo com relatos, informou que, em razão da crise que atingiu o setor, já havia demitido 11 mil funcionários e que a previsão era de mais 4 mil a 5 mil nos próximos meses.

Na saída do encontro, o empresário falou ao jornal O Estado de S. Paulo sobre impacto da crise. "Não tem quem não esteja afetado. O taxista está, o pipoqueiro está, as cadeias industriais estão sofrendo. Está duro", ressaltou o empresário, que, no primeiro mandato de Dilma, assumiu a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, que tinha o objetivo de aperfeiçoar a condução da máquina pública.

"Para mim, o problema está na exportação. Tem que melhorar", defendeu Gerdau, que não tem tido contatos frequentes com a presidente.

Uma das alternativas discutidas na reunião realizada no gabinete da presidência do Senado é a mudança no Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra).

As alterações no programa, que "devolve" aos empresários uma parte do valor exportado, seriam realizadas por meio de emendas inseridas Medida Provisória 675, atualmente em discussão na Comissão Mista do Congresso.

A MP foi encaminhada pelo Executivo no último dia 22 de maio ao Congresso e faz parte do ajuste fiscal proposto pelo governo. O texto original trata de outro tema e prevê o aumento de 15% para 20% a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), devida por instituições financeiras, como bancos, seguradoras e administradoras de cartão de crédito.

Entre as emendas sobre o Reintegra consideradas na reunião no gabinete de Renan estão duas de autoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) - entre elas, a que retoma o porcentual de 3% sobre a receita auferida com a exportação realizada pelas empresas.

No último mês de fevereiro, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou a redução de 3% para 1% da alíquota do Reintegra. Segundo cálculos da Fazenda, a renúncia fiscal com o benefício para os exportadores com a alíquota anterior, de 3%, seria de R$ 6 bilhões. Com a mudança, o montante cai para R$ 3,5 bilhões por ano.

Como a alteração ocorreu com o ano em curso, a economia estimada para 2015 é de R$ 1,8 bilhão. "A redução dos percentuais de maneira súbita e imediata desconsidera a realidade das empresas exportadoras que já haviam precificado suas exportações para embarque no futuro próximo, considerando a vigência do porcentual maior até então em vigor", afirma Ferraço em trecho da emenda. O texto proposto por ele mantém, entretanto, a prerrogativa do Poder Executivo em graduar o porcentual entre 0,1% a 3%. (Estadão Conteúdo)

Extraído =>  Hoje em Dia  - 03/07/2015

11/06/2015

Mudança em critérios das licitações preocupa especialistas no setor


A decisão do Governo Federal de mudar o critério das licitações das áreas portuárias é vista com preocupação por especialistas no setor. O motivo é a necessidade de essa alteração ser apreciada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e a falta de prazo para isso. O temor é de que o processo sofra novos atrasos e a Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP) não consiga licitar as três primeiras glebas ainda neste ano. 


No anúncio do Programa de Investimento em Logística (PIL), na terça-feira(9), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que, no segundo bloco de arrendamentos portuários, previsto para o segundo semestre de 2016, o Governo utilizará o critério de outorga e não mais o de maior volume de movimentação de carga e menor tarifa. A medida também poderá valer para as licitações das três primeiras áreas, caso o TCU aprove o pedido.

“O Governo publicou hoje (ontem) um decreto em que inclui o valor de outorga como um dos critérios que podem ser utilizados na licitação de portos. E nós planejamos utilizar o valor de outorga como o principal critério de licitação dessa rodada dois. Nós vamos consultar o TCU para saber se há a possibilidade de usar outorga para os portos do bloco 1”, destacou.

Segundo Barbosa, nas condições atuais, o modelo definido anteriormente poderia não ter os resultados esperados. Ele argumentou que a licitação por outorga traz maior eficiência. “É um modelo que o próprio setor de administração portuária e de ferrovias nos solicitou que adotássemos”, afirmou. 

Mas, para o consultor portuário Fabrizio Pierdomenico, este plano do Planalto pode atrasar ainda mais a licitação das áreas. “A equação era baseada nas diretrizes da nova lei, de maior volume por menor preço. Agora, mudando tudo, é possível que tenha que ser tudo analisado novamente. Se o TCU entender que essa análise é necessária, vai atrasar tudo bastante”.

A mesma opinião tem o consultor portuário Sérgio Aquino. Para ele, o setor não pode esperar celeridade, caso o processo tenha que ser novamente avaliado pelo TCU. “Hoje, foi a divulgação de um grande pacote de intenções, não de concessões. Em todos os modais, há a uma infinidade de temas em estudo ou que dependem de decisões. Em todas essas questões, é necessário esperar”, destacou Aquino.

Segundo Pierdomenico, com as condições impostas pelo Governo, o setor retorna às condições da época em que a Lei nº 8.630 (antigo marco regulatório) estava em vigor. “Essa questão da outorga já era algo superado pela lei e foi considerado o ponto de grande mudança no novo marco regulatório. Agora houve esse retrocesso”.   

Confiabilidade

Para o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, a mudança no critério dará maior segurança para o Governo porque tende a atrair empresas idôneas e com maior capacidade de operação e menos especuladores. 

“O mercado exige alta tecnologia e altos investimentos e o mercado é exigente. Requer empresas com capacidade econômica, financeira e técnica e que não podem ficar sujeitas à sazonalidade da produção, por exemplo. Caso contrário, ficarão eternamente pedindo reequilíbrio ao Governo”, destacou Wilen Manteli. 

O executivo também espera celeridade nas análises que se fazem necessárias e, consequentemente, que as licitações sejam destravadas. 

Fernanda Balbino

Extraído => A Tribuna  - 11/06/2015

11/11/2014

Criador dos Brics diz que governo brasileiro se tornou "chinês demais"


Conhecido –e muitas vezes criticado– por suas previsões consideradas excessivamente positivas, o economista britânico , criador do acrônimo Bric, parece ter perdido seu entusiasmo com pelo menos um país: o Brasil.


Em 2012, quando as incertezas sobre a recuperação da economia global eram ainda maiores que as de hoje, o então economista-chefe do banco americano Goldman Sachs escreveu que se mantinha “extremamente otimista em relação ao Brasil” e que o país representava uma “grande esperança”.

Dois anos e meio depois, O’Neill afirma que muita coisa deu errado desde então. E que um dos principais responsáveis pelo baixo crescimento registrado no país é o que define como política intervencionista do governo da presidente Dilma Rousseff.

“O governo brasileiro se tornou chinês demais”, afirmou, em entrevista à Folha em Londres, onde vive. O papel desempenhado pelo BNDES na concessão de empréstimo ao setor privado nos últimos anos, a juros subsidiados, e a atuação do Banco Central que, segundo ele, precisa ser mais independente, são exemplos dessa política, diz o economista.

O’Neill, 57, porém, faz sua mea-culpa. Ele diz que errou ao acreditar que a redução da inflação na década passada iria inaugurar uma “nova era” para o país, em que não somente o consumo aumentaria, mas também os investimentos e a tomada de riscos por parte dos empresários. “Isso não aconteceu.”

Apesar disso, o economista britânico continua confiante no resto de suas previsões.

Além da China, que mesmo crescendo em ritmo mais lento, “produz uma Índia a cada dois anos”, segundo ele, outros emergentes como Nigéria e Indonésia, parte do novo acrônimo “Mint”, deverão puxar a expansão mundial nas próximas décadas.

Os “Mint” foram tema de um programa de TV na emissora britânica BBC apresentado neste ano por O’Neill, que se aposentou do banco americano em 2013. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

***

FolhaHá uma grande discussão sobre o futuro dos mercados emergentes diante de uma menor expansão global e do fim da política estímulos do Fed (banco central americano), que trouxe muita liquidez aos mercados nos últimos anos. Qual a visão do sr. sobre isso?

Jim O’Neill – A natureza dessa questão presume uma estrutura antiga do mundo. Há duas décadas, se a economia mundial estivesse desacelerando e o Fed estivesse apertando sua política monetária, seria uma péssima notícia para os países emergentes. Mas hoje a segunda maior economia do mundo é um país emergente, a China. A China crescendo a 7,5%, o que se considera “mais devagar”, equivale em dólares aos Estados Unidos crescendo a 4%.

A China é maior que Alemanha, França e Itália juntas. A China cria um Reino Unido a cada três anos, e uma Índia a cada dois. Por isso, se o mundo vai diminuir seu crescimento de forma persistente depende, em grande parte, do que a China vai fazer. Deveríamos estar nos preocupando com o que vai acontecer se o banco central chinês apertar a política monetária, e não o Fed. A forma com que a maioria das pessoas ainda pensa sobre essas questões é equivocada. O mundo mudou.

Folha – Qual sua perspectiva para o futuro da economia global?

Acho que a economia americana mostra sinais contínuos embora erráticos de aceleração. No momento acredito que isso deve levar o Fed a aumentar as taxas de juros em 2015, provavelmente no meio do ano, e isso deve trazer consequências adversas para alguns mercados.

Há uma incerteza genuína particularmente em relação à volta dos investimentos. O gasto com investimento tem sido muito fraco ao redor do mundo. Isso inclui, para os padrões chineses, a China, mas também Alemanha e EUA. Isso sugere que os negócios ainda não querem tomar muito risco no longo prazo e isso é um pouco preocupante. Achei que esse ano isso começaria a mudar. Mas até agora, não.

Folha – Em 2012 o sr. escreveu que estava extremamente positivo com o Brasil e que o país tinha um futuro promissor. Dois anos depois, o país deve crescer menos de 1% esse ano, a inflação voltou, os juros subiram. O que aconteceu?

Há uma pequena possibilidade de que nada deu errado e Brasil ainda viva uma grande volatilidade. Se você olhar para o período entre 2001 e 2003, o país tinha um crescimento tão fraco quanto o que está tendo nesta década. As pessoas se esquecem disso. Entre 2005 e 2009 o país teve um forte crescimento, em parte porque sua economia foi seriamente afetada pelo alto preço das commodities. Então, se por alguma razão o preço das commodities começarem a subir muito nos próximos anos, não seria tão surpreendente se o Brasil crescesse muito mais sem que nada efetivamente mudasse.

Porém, apesar do que eu acabei de dizer, eu acho sim que as coisas deram errado. E eu estive errado. Acho que errei porque imaginava que a inflação baixa iria desencadear uma nova era para as classes de renda baixa e média no Brasil, não apenas de maior consumo, mas também de mais investimentos, mais riscos, mais criatividade. E isso não aconteceu. O consumo foi criado por meio de empréstimos, e não apoiado por um crescimento sustentável da renda. Também não foram feitos investimentos suficientes.

Folha – Por que isso ocorreu, na sua opinião?

Um problema real é que o governo brasileiro se tornou muito chinês, ao tentar direcionar demais a economia. O famoso efeito crowding-out (queda do investimento privado diante de uma política fiscal expansionista do Estado) ocorre no Brasil. Uma consequência disso se vê na situação fiscal do país. Se o governo continuar tentando controlar tudo, gastar mais e mais, e não usar o dinheiro de forma eficiente, o déficit nas contas [como o registrado em setembro, o primeiro em nove anos] será o novo normal para o Brasil.

Folha – O intervencionismo é o principal problema?

Acho que Dilma não vem tendo sucesso na economia. Ela pode ter sido muito azarada com o “timing” na economia mundial.

Mas o intervencionismo é uma questão principal.

O papel do BNDES na concessão de empréstimos é algo muito chinês, e é também um grande problema. Junte-se a isso o fato de que ela não fez nada para tornar o Brasil mais competitivo globalmente, fora do negócio de commodities. O que o Brasil tem para oferecer ao mundo, além de matéria-primas? Qual seu diferencial? Não há apoio a um ambiente de tomada de risco, à inovação de alto impacto. Só commodities não é suficiente.

Folha – Que reformas estruturais são mais urgentes?

Um ponto crucial é que vocês têm quase 200 milhões de pessoas. Então, se o país fomentar reformas, permitindo mais dinamismo ao setor privado, apoiando uma maior tomada de risco e estimulando novos negócios, o Brasil ainda pode ser um lugar fantástico. Mas não vejo muitas evidências de que isso vá realmente acontecer.

Folha – E na política macroeconômica, que tipos de ajustes são necessários?

Acho que a presidente precisa tornar o Banco Central mais independente. Um dos problemas é que as decisões não são realmente feitas pelo BC nos últimos anos. A subida de juros que ocorreu dias após a eleição foi um desenvolvimento muito interessante nesse sentido.

Folha – O que a subida dos juros logo após a eleição demonstra, na sua visão?

Foi uma surpresa levemente positiva porque os mercados gostam de ver o que os políticos fazem, não apenas o que eles falam. [A subida de juros] pode demonstrar que Dilma será mais sensível às demandas do mercado, mas ainda é cedo para dizer.

Folha – A inflação acima da meta ameaça a credibilidade do país?

Sim. No que diz respeito ao sistema de meta de inflação, a credibilidade do sistema está definitivamente sob ameaça, e por isso que a alta dos juros é tão importante. Além disso, por causa dessa montanha russa, muitos investidores simplesmente não estão mais interessados no Brasil. De certa forma, isso pode ser bom, pois pode incentivar o governo a fazer as reformas.

Folha – Qual sua avaliação sobre a criação do banco dos Brics?

Foi uma surpresa positiva. Os países do grupo têm conversado sobre isso há dois anos, e muita gente começou a pensar: “eles não conseguem concordar em nada, é tão ruim quanto o FMI ou o G-20″. O fato de que eles finalmente concordaram em algo substancial é um desenvolvimento positivo. O fato de que a sede da instituição será na China foi também interessante, mostrando a importância do “C” no Bric. Vejo também como um sinal de que os chineses veem o Bric como uma forma de “experimento” para um projeto de assumir maior responsabilidade global.

Folha – Qual deve ser o papel do banco dos Brics?

Os Brics já deveriam ter maior peso no FMI e no Banco Mundial, mas não conseguem por causa do Congresso americano. Por outro lado, não concordo que a criação do banco seja uma resposta a sub-representação nessas instituições, porque elas continuam pesadamente envolvidas em programas de empréstimos para esses países. Hoje, diria que o banco tem um papel puramente simbólico.

Folha – Os Brics possuem muitas diferenças entre si, e muitos consideram que, por isso, não deveriam ser considerados um grupo coeso. Como o sr. responde a isso?

É claro que eles possuem grandes diferenças, mas qual grupo político não possui? Tome o G-7, por exemplo. São todos países democráticos, é verdade, mas o que mais há em comum entre os EUA e a Itália? Os Brics têm muitas diferenças entre eles, mas têm também muito em comum em aspectos importantes, como população e tamanho da economia. E nessa análise, excluo a África do Sul, que é um país pequeno com população pequena. Eu particularmente questiono a sensibilidade de incluir a África do Sul no grupo. Acho que foi um erro estratégico.

Folha – A China passa por desaceleração e enfrenta um grande desafio demográfico. Você continua otimista em relação ao país?

Sim. Qualquer um que estudou China nos últimos 20 anos sabe que desafios demográficos começariam a surgir no começo desde década. Portanto, não há surpresa inclusive pra mim. Além disso, o governo chinês está tentando enfrentar a questão, se livrando da política de filho único, por exemplo. Sobre a desaceleração da economia, eu presumi muitos anos atrás que a China iria desacelerar nesta década. Até agora, a desaceleração foi menor do que previa tanto [sua previsão é de expansão média de 7,5% entre 2010 e 2020).

Folha – Qual sua análise sobre a Índia, sob o governo do primeiro ministro Narendra Modi?

Estou muito animado com a Índia sob o governo Modi. Um dos maiores problemas do país é a complexidade de sua democracia. Com a força da vitória de Modi, há uma chance para reduzir a complexidade da democracia da Índia pela primeira vez em 30 anos. É uma mudança grande e positiva, com impactos na economia. Acho que na segunda metade desta década é possível até que a Índia possa crescer mais que a China, em termos percentuais.

Folha – Você criou recentemente um novo acrônimo para um grupo de países, os Mint (México, Indonésia, Nigéria e Turquia). Que características os une e o que os diferencia dos Brics?

De novo, a principal característica que os une é a população. E, em contraste com China e Rússia, os quatro países do MINT têm população jovem, portanto não há um fardo demográfico. A população economicamente ativa nesses países vai crescer muito nos próximos 20 anos, o que é uma diferença importante em relação aos Brics. Além disso, são países com relações comerciais muito diversas. Já a Nigéria é uma exceção, com população muito grande, mas também desafios relacionados à elevada corrupção e à democracia.

Folha – Você afirmou recentemente que não concorda que a desigualdade tenha aumentado nas últimas décadas, argumento defendido pelo economista francês Thomas Piketty. Por quê?

Não sou crítico de Piketty, mas da popularidade dessa visão [sobre aumento da desigualdade]. Acho que existe uma enorme hipocrisia das pessoas do ocidente. O fato é que, em indicadores de pobreza mundialmente aceitos, vimos uma grande queda da desigualdade mundial na ultima década. Em boa parte por causa dos países emergentes. A meta da ONU de reduzir a pobreza à metade em 2015 foi atingida em 2010.

Minha segunda crítica é que é idioticamente simples pegar a diferença entre o cidadão mais bem pago e o menos pago e dizer isso que isso significa que a desigualdade está crescendo.

Por fim, há um subcontexto na discussão que envolve um protesto quanto às pessoas enriquecerem. Não queremos que nossas pessoas fiquem mais ricas? Venho de uma realidade dura em Manchester [cidade no norte da Inglaterra]. E lá as pessoas não reclamam por eu ser rico. Ao contrário, elas gostariam de ter enriquecido também, de uma vida melhor. Acredito na importância da desigualdade de oportunidade, não no debate simplista de desigualdade de renda.

Extraído => Folha de São Paulo  - 11/11/2014

01/10/2014

Após reunião na Fiesp, Mantega anuncia estímulos ao setor industrial.


O governo federal antecipou a entrada em vigor da alíquota de 3% do Reintegra, programa de créditos sobre exportações para empresas de manufaturados, para a partir de outubro deste ano, anunciou nesta segunda-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.


A alíquota atual do Reintegra, regime que devolve aos exportadores de produtos manufaturados um porcentual da receita com as vendas externas e os compensa por tributos indiretos, é de 0,3%. Inicialmente, a alíquota de 3% deveria valer apenas a partir do começo de 2015.

A antecipação da medida foi anunciada a seis dias do primeiro turno das eleições presidenciais.

Para Mantega, o Reintegra maior ajudará a dar competitividade à indústria nacional, num momento em que falta mercado para os exportadores.

O ministro disse ainda que a antecipação da alíquota maior do Reintegra não tem efeito sobre as contas públicas neste ano, já que a contabilização das exportações das empresas brasileiras para fins de obtenção do crédito tributário ocorrerá em janeiro de 2015.

O impacto anualizado estimado na arrecadação com o Reintegra de 3% é de R$ 6 bilhões, segundo Mantega. Para o período de outubro a dezembro, seria um quarto disso, ou cerca de R$ 1,5 bilhão, de acordo com o ministro.

Mantega anunciou a antecipação da alíquota maior do Reintegra após reunião com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) na capital paulista. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, também participou do encontro.

O ministro da Fazenda disse ainda que foi acertada a criação de duas comissões com representantes do governo federal e do empresariado que afetam a indústria, uma para tratar de questões trabalhistas e outra de tributárias. (Reuters)

Extraído => O Estado de São Paulo  - 01/10/14

11/08/2014

Perdemos a capacidade de planejar o país, diz ministro.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, disse, nesta quinta-
feira, 07, que o País perdeu, ao longo das últimas décadas, a capacidade de planejar seu crescimento e seus investimentos, sobretudo na área de infraestrutura. Em decorrência, hoje a indústria brasileira vive um período de 'hiato de produtividade' e sofre com um déficit de estoque de capital fixo. Borges participou da abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), promovido pela Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB).

Segundo ele, é um 'consenso' na agenda brasileira o 'hiato' em relação à produtividade no nível de desenvolvimento industrial. 'Como enfrentar esse grande hiato de produtividade é o que considero o grande desafio, que perpassa comércio exterior, indústria brasileira, o conjunto de infraestrutura', destacou. 

'O País tem dois grandes déficits estruturais que se acumularam desde a segunda fase da industrialização, nos anos 70; o déficit de capital humano e o déficit de capital fixo', reforçou. 

Segundo o ministro, o baixo estoque de capital fixo brasileiro passa pelo envelhecimento do parque fabril no País, hoje com média de 17 anos de uso. Para Borges, os países que hoje competem com o Brasil têm média de idade do parque fabril entre 7 e 8 anos. Além disso, o ministro destacou o 'baixo nível de escolaridade e qualidade da educação, aquém da dimensão da economia brasileira'. 

'Esses dois estoques são na verdade elementos centrais para entender a baixa produtividade brasileira, que hoje é apenas 20% da produtividade dos Estados Unidos', afirmou Borges. 'Este não é um problema do governo, é um problema do Estado brasileiro'. 

Borges ressaltou ainda que o déficit de capital fixo é mais visível na área de infraestrutura. 'Perdemos a capacidade de planejar o País, de fazer projetos de qualidade, projetos macro de infraestrutura', avalia o ministro. Para ele, o governo está dando velocidade na retomada dos grandes investimentos. 'Mas é um processo de maturação que alcançará plenitude em três anos, não é de um dia para o outro'.


Extraído => O Estado de São Paulo - 11/08/14

31/07/2014

Economia brasileira não terá recessão em 2014, diz Mantega

 O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em uma rápida entrevista aos jornalistas que fazem a cobertura
diária da pasta, afirmou que não haverá recessão na economia brasileira em 2014. Segundo ele, quem faz está avaliação está 'equivocado'.

Mantega afirmou que, com as medidas de liberação do compulsório pelo Banco Central, que permitirão a oferta de mais crédito, o Brasil terá um início de terceiro trimestre com a economia recebendo mais estímulos. O ministro defendeu as medidas do BC, anunciadas na última sexta-feira, e rebateu avaliações de que elas são incoerentes com o processo de combate à inflação. Mantega destacou dados do BC, divulgados hoje, que mostram que a alta do crédito livre está abaixo da taxa de inflação.

Numa defesa da política econômica, Mantega disse que o combate à inflação está sendo 'exitoso' e que o processo de queda dos preços continuará. O ministro afirmou que recebe uma avaliação diária da inflação e que ela está próxima de zero. Ainda segundo ele, se esta avaliação estiver correta, a inflação continuará em 'trajetória decrescente' e vai estar 'confortável' para a economia.

O ministro também argumentou que as medidas do BC não irão exercer pressão sobre os preços. Isso porque, em sua análise, o principal fator de pressão sobre a inflação foi a alta de alimentos, 'que está superada', de acordo com Mantega.

Para o ministro, as ações do BC não são de grande impacto, mas vão colocar 'um pouco de crédito na economia'. 'É preciso um pouco mais de crédito', disse Mantega ao destacar a importância das medidas para a recuperação da economia. O ministro se mostrou confiante de que os bancos irão emprestar esses recursos. 'Se não emprestarem, vão perder'.


Extraído => O Estado de São Paulo - 30/07/2014

30/07/2014

Apesar de pessimistas, empresas brasileiras devem investir mais.

Mesmo preocupadas com entraves logísticos, aumento do custo de energia e incertezas da economia,
cresceu no segundo trimestre o percentual de companhias brasileiras que planeja investir em máquinas e equipamentos e nos próximos 12 meses.

Enquanto 52% das companhias do país estão mais seguras e pretendem investir mais, na média global esse percentual caiu e chegou a 35%. No primeiro trimestre deste ano, eram respectivamente 46% no Brasil e 37% no mundo as companhias que tinham intenção de fazer esse investimento.

O Brasil ficou bem acima da média de 40% dos Brics, o bloco emergente do qual o país faz parte ao lado de Rússia, Índia e China (a África do Sul não está incluída aqui).

Os dados são da consultoria Grant Thornton, que divulga a cada trimestre o IBR (International Business Report) e fornece informações sobre o índice de otimismo, os entraves e as expectativas com a economia doméstica de 10 mil empresas de 35 países.

No Brasil, são 300 empresas de médio porte consultadas, por meio de entrevistas com presidentes, diretores e executivos em cargos de liderança.

Apesar do maior pessimismo no nível de confiança no segundo trimestre, 57% preveem aumento da receita de suas empresas no Brasil. O percentual no país está acima da média global, de 54%.

'As vendas do varejo decresceram, as importações tomam espaço da produção nacional e o período da Copa trouxe queda acentuada à fabricação. O empresário já chegou ao fundo do poço', diz Fernando Pimentel, superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil).

'Portanto, agora se espera uma melhora. E, sem investir, a indústria não sobrevive', complementa o executivo.

Quase seis em cada dez empresas do setor têxtil e de confecção informaram que a produção em junho deste ano ficou abaixo ou muito abaixo do esperado, segundo pesquisa conjuntural da Abit obtida com exclusividade pela Folha.

Para 70% dos fabricantes têxteis, o nível de vendas também ficou menor ou muito menor do esperado.

O levantamento da Abit, realizado em junho, aponta ainda melhora das expectativas de vendas para os próximos 60 dias ­- e corrobora com as informações da consultoria Grant Thornton.

No setor de eletroeletrônicos (inclui fabricantes de material elétrico, de celulares, computadores), as expectativas também são otimistas para este mês e para este semestre na comparação com iguais períodos de 2013.

Sondagem feita com 500 fabricantes do setor mostra que, para o terceiro trimestre do ano, a perspectiva é de expansão das vendas para 56% das empresas consultadas. Percentual semelhante (60%) espera crescimento no segundo semestre deste ano em comparação com igual período do ano anterior.

'As empresas usaram o período da Copa para fazer ajustes na produção, nos estoques e se adequarem ao menor nível de encomendas. Esperam agora um semestre melhor', diz Humberto Barbato, presidente da Abinee.

'Os empresários ainda não jogaram a toalha', afirma o executivo, em alusão ao boxe, em que o gesto de jogar a toalha pela equipe de um pugilista sinaliza sua desistência da luta.

No setor de máquinas, a avaliação não é a mesma. 'Estamos com queda cavalar na produção, um processo de desindustrialização silencioso em curso e sem perspectivas de mudança nesse cenário', diz Carlos Pastoriza, presidente Abimaq, associação que reúne fabricantes de máquinas.

Contratações

Apesar de esperar aumento da demanda e de pretender realizar mais investimentos em máquinas e equipamentos, diminuiu o percentual de empresas que pretende contratar mais funcionários no Brasil nos próximos 12 meses.

O percentual passou de 33% no primeiro trimestre deste ano para 20% no segundo trimestre. Na média dos Bric, ocorreu o inverso: passou de 22% para 43%.

Na média global das economias pesquisadas, também houve aumento do percentual de empresas que planejam ampliar o emprego. Nesse mesmo período foi de 31% para 35%.

'Existem muitas questões estruturais que afetam o dia a dia das empresas e têm impacto no custo, como a burocracia, falta de mão de obra qualificada e reformas que precisam ser feitas e não saem do papel, como a tributária e a trabalhista', diz Artemio Bertholini, presidente da Grant Thornton Brasil.

'Por isso, as empresas utilizam outros recursos, antes de assumir o custo fixo de mais contratações em um cenário de incertezas econômicas', diz.

No setor de eletroeletrônicos, quase um quarto dos fabricantes informaram na sondagem da Abinee que reduziram o nível de emprego em junho. No mês anterior foram 19%. É o maior percentual desde junho de 2013, quando 24% disseram ter reduzido.

No têxtil e na confecção, 1.314 empregos foram fechados no Estado de São Paulo em junho. Esse foi o pior junho desde a crise de 2008, segundo o Sindtêxtil-SP, que estimam fechamento de 5.000 vagas.

Entraves

Entre as preocupações dos empresários brasileiros, estão o aumento do custo com energia e entraves logísticos, de acordo dados da pesquisa da Grant Thornton.

O percentual de companhias apreensivas com aumento de custo de energia passou de 23% para 35% do primeiro para o segundo trimestre deste ano.

Na média dos Brics, esse percentual teve queda de seis pontos percentuais na mesma comparação - foi de 44% para 38% no segundo trimestre deste ano.

'Produzir no Brasil é brochante', diz Pastoriza, da Abimaq, que representa 6.500 empresas no país.

Segundo o levantamento da consultoria, as empresas brasileiras estão mais apreensivas com custo de logística (infraestrutura da área de transporte). Passou de 26% para 32% (do primeiro para o segundo trimestre deste ano) o percentual de empresas que têm preocupação com esse item.

Extraído => Folha de São Paulo

04/10/2013

Camex impõe pena antidumping contra importação de chapa grossa.

Alberto Alerigi Jr. 
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu aplicar por até cinco anos penas antidumping contra importações de chapas grossas de aço originárias da África do Sul, China, Coreia do Sul e Ucrânia, segundo resolução publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União e que atende em parte pleito da Usiminas.

A penalidade envolve o produto 'laminado plano de baixo carbono e baixa liga (...) de espessura igual ou superior a 4,75 milímetros, podendo variar em função da resistência, e largura igual ou superior a 600 milímetros, independentemente do comprimento (chapas grossas)', segundo texto publicado.

As sobretaxas aplicadas, que variam de 135,08 dólares por tonelada a 261,79 dólares por tonelada, valem para importações de todos os produtores dos países citados.

A resolução, porém, cita que as penalidades não se aplicam para determinados tipos de chapas grossas, como as de aço carbono com requisitos para atender a testes de resistências à corrosão ácida e às voltadas para produção de alguns tipos de tubulações.

A decisão foi tomada após pedido da Usiminas, maior produtora de aços planos do Brasil, junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) em dezembro de 2011. O pedido de abertura de investigação incluiu produtos originários também da Austrália e Rússia.

A entidade que representa as siderúrgicas brasileiras, Instituto Aço Brasil (IABr), e a Usiminas não puderam comentar o assunto de imediato.


Extraído => Reuters -  04/10/2013

03/10/2013

Grandes empresas engavetam planos de investimento.


Muitas das grandes empresas brasileiras diminuíram a intenção de investimentos no primeiro semestre de 2013, revela o Índice de Intenção em Investimentos, feito pela consultoria econômica Tendências e obtido com exclusividade por EXAME. No período, foram anunciados 293 investimentos totalizando 208 bilhões de reais. No mesmo período do ano passado, foram 480 anúncios de investimentos, somando 240 bilhões de reais. O índice, que cai desde agosto do ano passado, é calculado a partir desses dois indicadores e não era divulgado desde 2010.


Agronegócio, logística e varejo são os três setores com mais anúncios de investimento – 43, 36 e 35, respectivamente. Em dois deles houve queda. No primeiro semestre de 2012, foram comunicados 81 projetos de investimento no setor de logística e 53 no agronegócio. No varejo, a variação foi positiva – houve 27 anúncios no ano passado.

Eles são captados a partir de notícias divulgadas na imprensa e relatórios de investimentos publicados pelas empresas de capital aberto. Por isso, são um indicador do humor de investimento das grandes empresas.

Em termos proporcionais ao montante em dinheiro de investimentos anunciados, os três setores mais representativos são petróleo (14,8%), transporte (13,3%) e mineração (13%).

“A queda no índice reflete a perda de confiança do setor privado em relação ao governo e ao futuro da economia”, diz o economista Bruno Rezende, um dos responsáveis pelo índice da Tendências. “Sem confiança, o empresário não investe. O projeto fica na gaveta.” De acordo com Rezende, o índice ajuda a antecipar como será o comportamento dos investimentos no futuro.

“Se as empresas não anunciam investimentos, logicamente isso provoca queda nos investimentos futuros', diz Rodrigo Baggi, economista da Tendências que também trabalhou na elaboração do índice.

No final de agosto, o IBGE divulgou os números do PIB do segundo trimestre. Os investimentos foram destaque, com crescimento de 3,6%. Também chamado de formação bruta de capital fixo, a taxa de investimentos cresceu 6% nos seis meses do ano e saiu de 18,1% do PIB no final do ano passado para 18,6% do PIB em junho. Na formação bruta de capital fixo, contudo, são considerados também os investimentos na construção civil, como os do programa Minha Casa, Minha Vida, e os da infraestrutura. Já o Índice de Intenção em Investimentos da Tendências se restringe às comunicações de projetos feitas exclusivamente por empresas.

Humberto Maia Júnior 

Extraído => Exame - 03/10/2013

01/10/2013

Novas regras antidumping passam a valer hoje.


As novas regras para investigações antidumping passam a valer hoje (1º Outubro), quando entra em vigor o Decreto 8.058/2013, publicado no dia 29 de julho e que regulamenta o tema. O procedimento antidumping é usado quando um país comprova que o exportador fixa preços muito abaixo dos valores de mercado do país importador para eliminar a concorrência.


Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com a nova regra passa a ser obrigatória uma conclusão provisória sobre a existência do dumping, do dano e do nexo de causalidade. Poderão ser aplicados direitos provisórios antidumping para proteger a indústria doméstica durante a investigação.

De acordo com o ministério, o objetivo é assegurar que as determinações preliminares sejam feitas no prazo médio de 120 dias após o início da investigação. Atualmente, a realização de determinações preliminares não é obrigatória e o prazo médio é 240 dias.

A nova legislação estabelece ainda prazo máximo de 60 dias para a análise de uma petição. No entanto, nos casos em que não haja necessidade de pedidos de informações adicionais e em que haja evidências de dumping, de dano e de nexo de causalidade, as investigações poderão ser iniciadas entre 15 e 30 dias da data de seu protocolo.

O novo marco normativo substitui o Decreto 1.602/1995. Para o ministério, a nova legislação, somada ao reforço na equipe de investigadores, aprovados recentemente em concurso público, deverá reduzir o prazo médio das investigações, conforme estabelecido no Plano Brasil Maior. (Edição de Talita Cavalcante)


Extraído => Agência Brasil - 01/10/2013

30/09/2013

China dá alento a exportação brasileira.


A economia chinesa tem dado recentemente sinais positivos, contrariando previsões de analistas que previam uma desaceleração mais forte. Para o Brasil, esses sinais começam a trazer esperança de um melhor desempenho na balança comercial, já que os chineses são os principais clientes das empresas brasileiras.


A grande surpresa da economia chinesa tem sido o desempenho da indústria, em um momento em que o governo local sinalizou que faria uma reorientação do crescimento econômico para o consumo. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria subiu em setembro. Pela última previsão do Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto da China deve crescer 8% este ano.

A China é a maior importadora de produtos brasileiros, com destaque para o minério de ferro e commodities agrícolas, principais itens da pauta de exportação da balança comercial do Brasil (ver quadro). 'A economia chinesa começa a mostrar uma recuperação em relação aos padrões de crescimento dela. O Brasil é impactado toda vez que a China sofre qualquer mudança econômica', afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Os sinais positivos da China ajudaram a elevar a cotação do preço do minério. No mês de agosto, a tonelada do produto foi vendida a US$ 84,7. Na primeira semana de setembro, passou para US$ 86,9, subiu para US$ 94,3 na semana seguinte, e chegou a US$ 99. 'A minha expectativa é que essa cotação deve alcançar entre US$ 105 e US$ 108 por tonelada', afirma Castro. Entre janeiro e agosto, a cotação do minério teve uma queda de 2,9%.

Em julho, a AEB previu um déficit de US$ 2 bilhões para o ano mas, segundo Castro, o resultado deste ano pode ficar próximo de um 'zero a zero' por causa do efeito minério.

O reaquecimento da economia também abre uma 'boa perspectiva' para o primeiro semestre de 2014, segundo Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). 'A melhora da China traz uma perspectiva positiva porque a gente esperava desaceleração maior', diz. 'Isso é um fato positivo, que terá impacto no nosso comércio exterior.'

O ritmo maior da indústria chinesa não deve ser suficiente para reverter o ano ruim da balança comercial. Na semana passada, o próprio Banco Central estimou um superávit de apenas US$ 2 bilhões para este ano, resultado bem abaixo do de 2012, quando o saldo positivo foi de US$ 19,4 bilhões.

Na avaliação do diretor de Pesquisa Econômica da consultoria GO Associados, Fabio Silveira, uma melhora deve ser encarada como um 'suspiro'. 'Pode até haver alguma alta de receita nos próximos meses, mas ela vai ser discreta. Não vai alterar significativamente o resultado das exportações. Eu diria que existe mais torcida do que fundamento para ter alguma melhora das exportações.' A GO Associados prevê um saldo de US$ 2 bilhões na balança comercial deste ano.

De acordo com o economista, qualquer ganho com o minério daqui para a frente em 2013 vai servir para recuperar o espaço perdido pela produção brasileira para a Austrália na China.

'A Austrália é um fornecedor mais próximo do mercado chinês, com uma oferta da produto boa e frete mais barato', afirma Silveira. Ele também destaca que a receita do minério de ferro exportada deve avançar pouco este ano: será de US$ 32 bilhões, ante US$ 31 bilhões do ano passado. Em 2011, foi de US$ 41 bilhões.

 Luiz Guilherme Gerbelli 

Extraído => O Estado de São Paulo -  30/09/2013

27/09/2013

Petróleo e gás derrubam receita do setor, diz Abimaq.


Apesar da ligeira recuperação do faturamento em agosto, o setor de bens de capital mecânicos continua patinando. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o baixo nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) e a queda na carteira de pedidos se devem à difícil situação das empresas de máquinas pesadas, muito usadas no setor de óleo e gás. 'A Petrobras é hoje a principal responsável pela queda do faturamento neste segmento. Estamos fechando postos de trabalho e até empresas', afirmou ontem o presidente executivo da Abimaq, José Velloso.


De acordo com dados da entidade, no acumulado de janeiro a agosto, as importações de equipamentos para o setor de óleo e gás aumentaram 97,2%. 'Este é, hoje, o pior segmento da Abimaq', destaca Velloso.

Ainda nesta quarta-feira, o superintendente da área de insumos básicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maurício Bacellar, afirmou que até 2020 a estimativa da instituição é de uma demanda doméstica por bens e serviços em exploração e produção de petróleo e gás em torno de US$ 400 bilhões.

As empresas contratadas pela Petrobras para executar projetos que envolvem engenharia, equipamentos, construção e montagem (como plataformas, por exemplo) são chamadas de EPCs (sigla em inglês). De acordo com Velloso, a Petrobras paga estas companhias em real e considera a transação como cumprimento de exigência de conteúdo local.

'Os 'epecistas' faturam os projetos em real, mas compram tudo lá de fora', diz. Velloso explica ainda que o segmento de máquinas para óleo e gás da Abimaq é amplamente dependente dos pedidos em carteira feitos pela cadeia onshore (em terra), que incluem abastecimento, refino e transportes (dutos). 'O forte da Abimaq é o segmento onshore, onde a exigência de conteúdo local é zero', reforça Velloso.

Em 2012, durante a divulgação do plano de negócios da Petrobras para os próximos anos, a presidente da estatal, Graça Foster, foi incisiva ao afirmar que o conteúdo local não atrapalha o andamento dos projetos da companhia. A executiva reforçou inclusive que somente alguns projetos têm metas de nacionalização a serem cumpridas.

De acordo com Velloso, o acordo que existe desde a 9ª rodada de licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás natural é para exigência de conteúdo local somente na cadeia offshore (mar). No segmento de exploração, a média de nacionalização exigida varia entre 35% e 55% e, em produção, entre 55% e 65%. 'Como as empresas não estão cumprindo, elas estão pagando multas', diz.

De acordo com a Abimaq, os pedidos de máquinas seriadas têm apresentado melhora gradativa ao longo do ano, principalmente por conta das condições especiais do financiamento do BNDES para bens de capital (Finame). No entanto, a carteira de equipamentos pesados depende da velocidade dos negócios em áreas como infraestrutura e óleo e gás. 'Dependemos dos investimentos em infraestrutura. Se as concessões avançarem e não houver mais atrasos no setor de óleo e gás, em meados do ano que vem já devemos enxergar melhora da demanda no setor de bens sob encomenda', afirma o diretor de competitividade da Abimaq, Mário Bernardini.

O economista ressalta que, em um cenário otimista, o setor de máquinas deve fechar 2013 em linha com o ano passado. 'Porém, o mais provável é que tenhamos queda de até 4% do faturamento em relação a 2012', diz.

Receita do setor

A indústria de máquinas registrou em agosto um faturamento de R$ 7,2 bilhões, aumento de 6,8% ante julho. Porém, na comparação anual, houve queda de 2,1%. Já no acumulado do ano, o setor faturou R$ 52,1 bilhões, queda de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a Abimaq, houve um recuo do déficit da balança comercial do setor na passagem de julho para agosto, totalizando US$ 1,4 bilhão, devido ao aumento das exportações. Porém, na comparação anual, houve alta de 16,9% do déficit. Até agosto deste ano, esta diferença chegou a US$ 13,8 bilhões, alta de 20,2% ante igual período de 2012.


Extraído =>  DCI - 27/09/2013

24/09/2013

Um quarto da indústria cresce mais de 5% no ano.

O aumento de 6% dos investimentos no primeiro semestre e o forte desempenho da indústria automotiva no período levaram alguns segmentos a apresentar taxas de crescimento bem mais expressivas do que a média do setor manufatureiro de janeiro a julho deste ano. Entre altas e baixas mensais, a produção industrial avançou 2% na comparação com os mesmos meses de 2012, mas dez dos 27 setores pesquisados pelo IBGE cresceram mais. Dentre estes, sete conseguiram elevar sua produção em mais de 5%.

A fabricação de veículos, por exemplo, saltou 13,2%, incentivada por benefícios tributários e também por um importante incremento das exportações. Outros equipamentos de transporte, no qual estão caminhões e ônibus, se beneficiaram da retomada de investimentos e da baixa base de comparação e expandiram sua produção em 8%. O aumento da formação de capital fixo nos últimos dois trimestres também impulsionou o setor de máquinas e equipamentos, que subiu 5,1%, e de máquinas e materiais elétricos, com alta de 7,7% no período.

Na análise por categorias de uso da indústria, a maior variação foi observada nos bens de capital, cuja produção subiu 14,2% nos primeiros sete meses do ano. Segundo Rodrigo Baggi, analista do setor da Tendências Consultoria, o bom desempenho é explicado principalmente pelo subgrupo equipamentos de transporte, que contribuiu com quase 60% dessa alta, mas também foi disseminado entre os demais segmentos que compõem a atividade industrial: a produção de máquinas agrícolas aumentou 13% no período, enquanto a de bens de capital para fins industriais subiu 10% e a de bens de uso misto, 4%.

Baggi aponta três fatores por trás da reação acentuada dos equipamentos de transporte no primeiro semestre: o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES, que estimulou a demanda por veículos pesados ao oferecer juros reais negativos para financiamento dos bens; a necessidade de renovação da frota para reduzir perdas de produtividade e, por fim, as supersafras de grãos, que também explicam a produção maior de máquinas agrícolas.

No caso das compras de máquinas que ampliaram a capacidade produtiva, o analista da Tendências afirma que, além da redução de custos com o PSI, expectativas mais otimistas para o crescimento no início do ano elevaram a demanda do setor, movimento que foi observado com maior intensidade até maio. A partir de junho, porém, já houve perda de fôlego da produção e das vendas, trajetória que deve se aprofundar ao longo do segundo semestre. 'Quando a confiança cai, os projetos de investimento são engavetados', disse. Baggi ainda acrescenta que a maior volatilidade cambial também aumenta o nível de incertezas e deve moderar a produção do setor.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que viu seu faturamento recuar 7,7% de janeiro a julho, não se animou com os resultados da indústria de bens de capital na mesma comparação. Para Mario Bernardini, assessor econômico da Abimaq, a alta de dois dígitos foi muito concentrada nos veículos pesados e não atingiu as empresas associadas, que, segundo um recorte do IBGE fornecido à entidade, produziram apenas 0,1% a mais na primeira metade do ano. 'O investimento está poluído por dados que não são investimentos produtivos', diz Bernardini.

Com periodicidade semestral, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) calcula a variação da produção industrial dividida por faixas tecnológicas. Entre janeiro e junho deste ano, o destaque foi o segmento de média-alta intensidade tecnológica - composto pela indústria química, exclusive farmacêutica; montadoras de material de transporte e máquinas e equipamentos mecânicos e elétricos - com alta de 7% sobre igual período de 2012.

Segundo a economista Cristina Reis, uma baixa base de comparação impulsionou a produção nos dois últimos segmentos, mas os estímulos do governo também são explicações para a boa performance dessa parte da indústria. Já o setor químico, de acordo com Cristina, tem um elevado nível de correlação com a atividade econômica, que teve desempenho razoável no primeiro semestre.

Ainda entre os setores de maior intensidade tecnológica, a indústria de equipamentos médico-hospitalares e ópticos produziu 7,7% a mais nos sete primeiros meses deste ano. Para Ruy Baumer, diretor da Abimo, associação que reúne as empresas do setor, o bom desempenho do segmento ainda está bastante relacionado à demanda reprimida na área da saúde. 'O mercado brasileiro de produtos médicos cresce entre 6% e 7% ao ano, diante do aumento de investimentos privados e públicos na saúde.'

Para Baumer, o setor também tende a ser beneficiado pela desvalorização do câmbio, que encarece o produto importado e dá mais competitividade ao similar nacional. Ainda assim, no primeiro semestre, as exportações do setor recuaram 9%, enquanto as importações aumentaram 14%.

A produção de calçados, que cresceu 6,1% no acumulado deste ano, já sentiu o impulso de uma melhora no saldo da balança comercial. De acordo com a Fundação Centro de Estudos do Comércio (Funcex), as vendas externas de couros e calçados aumentaram 10,4% nos sete primeiros meses do ano, em valor, sobre igual período de 2012, avanço bem maior do que o das importações, que subiram 1,1% no período.

Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), no entanto, não mostra otimismo em relação aos dados e atribui parte do avanço da produção a calçados mais simples, como sandálias de borracha. Para Klein, um sinal de que a atividade no segmento não está tão aquecida são os indicadores de emprego do setor. Segundo o IBGE, houve queda de 5,4% da população ocupada nesta atividade entre janeiro e julho, sempre na comparação com igual período do ano anterior, apesar da desoneração da folha de pagamentos.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), os resultados mais favoráveis vistos neste ano são resultado de uma mudança na composição dos itens fabricados, com aumento da produção de itens de maior valor agregado, como tablets e smartphones. Já na área elétrica, são os investimentos em modernização de fábricas que estimularam a atividade no setor. 'Houve um aumento da produção de equipamentos industriais de prateleira, mais voltados para a reposição e a manutenção de peças', afirmou Luiz Cezar Rochel, gerente de economia da associação.

Para ele, a demanda por sistemas industriais de maior porte continua fraca, já que os empresários estão cautelosos em relação às expectativas para a economia. 'As incertezas ainda permanecem e os empresários têm dificuldade em se basear em um cenário favorável e consistente para a atividade, em função da inflação perto do teto da meta, da volatilidade do câmbio, de certo abandono das metas para o setor público, juros em alta'.


Extraído => Valor -  24/09/2013